A aplicação integrada de tecnologias de sensoriamento, comunicação e computação ao transporte de superfície, em todos os seus modais, caracteriza os sistemas de transporte inteligentes (ITS). Fica claro que o ITS, embora apoiado nas mais modernas tecnologias, tem no ser humano – gerenciador, condutor ou usuário dos sistemas de transporte – o alvo de sua aplicação. O ITS permite a coleta, organização, análise e uso distribuído de informações sobre os sistemas de transporte. As modernas tecnologias permitem que estas atividades sejam realizadas em alta velocidade, o que é crucial para o eficaz desempenho econômico-operacional destes sistemas. O ITS é incorporado pelos fabricantes de equipamentos a componentes da infraestrutura de transporte para, por exemplo, disseminar informações aos usuários do sistema, efetuar controle de tráfego, coletar tarifas e auxiliar no gerenciamento operacional. No gerenciamento dos sistemas de transporte o ITS controla esquemas operacionais do transporte sobre trilhos e os fluxos de tráfego rodoviário, monitora o comportamento da infraestrutura utilizada orientando a adequada manutenção e garante um eficaz e confiável desempenho do transporte público. Como armazenador de informações o ITS provê informações para o planejamento e avaliação de ampliações de sistemas de transporte já existentes e subsidia a implementação de medidas de segurança que neles devam ser implementadas. O ITS também permite uma grande combinação de tecnologias acopladas aos veículos visando o aumento da segurança e da produtividade do transporte. No transporte de cargas, o emprego do ITS traz significativa redução dos custos logísticos pela programação e controle dos percursos dos veículos e das próprias cargas, desde o embarque até seu destino final. Embora voltado para a operação, o ITS não se esgota em medidas de curto prazo para resolver problemas de transporte. Para que o ITS tenha maior impacto sobre a eficácia dos sistemas de transporte sua implementação deve ser concebida dentro de um plano de alcance amplo, com uma arquitetura que permita a integração dos sistemas já em funcionamento com aqueles que, desde já, possam ser visualizados dentro da evolução das tecnologias e da expansão física das redes de transporte. A garantia desta conexão com futuras expansões, físicas e tecnológicas, demanda uma padronização, tecnicamente sólida e ao mesmo tempo flexível, que garanta a otimização dos recursos empregados e permita a evolução dos sistemas atendidos. O ITS traz incrementos de eficácia para os sistemas de transporte, pois aumenta a mobilidade de pessoas e cargas, reduz os congestionamentos de tráfego e permite um gerenciamento mais eficiente e econômico da infraestrutura de transporte. O ITS aumenta a segurança, reduzindo o número e a severidade dos acidentes, o que resulta em menor número de vítimas e diminuição dos danos materiais. O ITS reduz o impacto ambiental dos sistemas de transporte, gerando menores percursos e menos congestionamentos, o que reduz o consumo de combustíveis e a emissão de gases para a atmosfera. ______________________________________________________________________________ |
Cuidado! Um automóvel está prestes a colidir com o seu!Projecto Drive-IN, em desenvolvimento, permitirá comunicação entre veículos e escolha de rotas2010-04-01
Por Marlene Moura - cienciahoje
Dispositivo de rede veicular faz gestão inteligente do tráfego
O projecto Drive-IN (Distributed Routing and Infotainment through Vehicular Inter-Networking) já está em desenvolvimento – uma parceria de investigação do Programa Carnegie Mellon|Portugal, entre várias universidades, o Instituto de Telecomunicações e a empresa NDrive (parceiro industrial) –, vai permitir a comunicação entre veículos e fazer uma gestão inteligente do tráfego.
Michel Ferreira, investigador
“Caso já não haja nada a fazer e dois carros estejam prestes a chocar, o dispositivo poderá alertar os condutores e, milésimos de segundos antes, activar os airbags – tal como acontece com os pré-sensores dos cintos de segurança – e ainda dar outras informações como a que distância está o outro veículo”, por exemplo, ou prevenir para “uma iminente travagem de emergência”, entre outras, sublinhou o investigador. No entanto, a criação desta rede wireless, não se prenderá apenas com questões de segurança rodoviária inter-veículos, ou seja, emitir sinais de aviso contra a sinistralidade, mas também atenderá determinadas necessidades de eficiência. Michel Ferreira contou ainda que “a aplicação fará a comunicação de possíveis engarrafamentos e os próprios navegadores NDrive indicarão rotas alternativas” – o GPS actual não usa dados a nível de congestionamento.
A aplicação indicará rotas alternativas
A terceira vertente do Drive-IN será para o entretenimento, mais orientado para os passageiros do que para os condutores, tendo em conta que estes últimos estarão ocupados com a estrada. A infra-estrutura de comunicação suportada por veículos permitirá jogos entre passageiros, em carros diferentes, e acesso à Internet, onde poderão ler o E-mail através da rede veicular. Os protocolos de comunicação para jogos estão a ser criados entre redes móveis. Rede protótipo no Porto
Comunicação poderá ser por vídeo
Segundo o investigador da UP, “a rede ainda não existe na prática e a melhor forma de a estudar será fazer uma simulação em larga escala, analisando a mobilidade do trânsito de uma cidade inteira, através de computação, mas com muito realismo”. A União Europeia prevê a obrigatoriedade da integração de GPS e telemóvel por defeito em automóveis a longo prazo – o que irá beneficiar o lançamento deste dispositivo, que segundo os envolvidos, deverá estar apto dentro de dois anos. Já existem demos do projecto – cujo início de criação fará um ano dentro de um mês –, e os dispositivos estão quase a entrar em fase de teste, através da aplicação de uma rede protótipo, “possivelmente implementada numa frota de táxis”, na cidade do Porto, a partir do próximo Verão, mas “os automóveis ainda estão em fase de selecção”, concluiu Michel Ferreira. |